Se houver um anjo da guarda
Um homem contou
Que da montanha se toca o céu
Que se encontrou ao subir
Mas ao descer -la se perdeu
Viu rastros de cobra
E pegadas de leão
Esta vida não sobra
Quando se olha -se ao trochão
E tentou fugir do trigo
Beijou o tempo como a um fio
Acordou numa alvorada
Já sem nada para me esconder
Então, eu sou assim
Seu velho, anjo da guarda
Que me abraça e se guar
da dentro de mim
É tão só, só no fim
Cristina
Macero
Outro homem contou -me
Que da cidade se vê o mundo
Que é tão doce o desejo
Que nenhum beijo é profundo
Vê -os escadas de ouro
E telhanos de rubi
Pensou que o maior tesouro
É que é da qual saber -se
E tentou fugir da sombra
Dizer à luz que não se esconda
Correu as ruas uma a uma
Já sem nada pra perder
E é tão virtuoso
Se houver um anjo da guarda
Que me abrace e se guar
de dentro de mim
É tão só expressão de fim
Se houver um anjo da guarda
Que me abraça e se guar
de dentro de mim
Porquê, porquê é tão só
estar só no fim?
Porquê é tão só estar só no fim?
Por que é é tão só?
Por que é tão só estar só no fim?
Por que é tão só estar só no fim?
Foi uma promissora,
escritora de canções,
Cristina.
Grande talento a fazer aqui
um dueto comigo.
E será que eu vos posso
ouvir dizer só três palavras?
Toda a noite.
Quem é que aguenta toda a noite?
Muito poucos, muito poucos.
Toda noite.
Quem?
Um, dois, três, quatro,
doze, doze, eu contei um.